Raul
30 anos
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Eu...





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sexta-feira, 20 de julho de 2007

www.focografico.blogspot.com

O Weblogger é muito fresco: vive saindo do ar e não tenho mais limite de espaço pra postar fotos.

Espero que entendam!

Nos vemos no Blogspot.

Grande abraço a todos!

raulvs às 16:25:38. Comentários: 0.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Paris, te amo...




Ontem fomos assistir a Paris, te amo.

São 21 curtas, de aproximadamente cinco minutos que contam histórias de amor ocorridas na Cidade Luz. Gostei, principalmente, por não ser em forma de documentário. Entre os diretores estão Walter Salles e Gerard Depardieu, mas foi Alexander Payne que finalizou com esta obra:

14e arrondissement
Alexander Payne

Narração da atriz Margo martindale

Próximo?
Eu!

Essa história é sobre um dia muito especial da minha recente viagem a Paris.

Durante toda minha vida sonhei em conhecer essa cidade, por isso estudei francês por dois anos. Guardei meu dinheiro e fui para Paris passar 6 dias.
Depois de cinco dias, ainda não havia conseguido me acertar com a diferença de fuso, e sempre ficava um pouco cansada.

Era minha primeira viagem à Europa. Gostaria de ter ficado pelo menos duas semanas, mas não podia: havia deixado meus cachorrinhos, Lady e Bumper, sozinhos.

Amei os museus e as ruas de Paris. Só a comida não era boa como eu imaginava. Pensei em fazer a viagem com uma excursão, mas sou uma pessoa muito independente. Desde que comecei a trabalhar como carteira em Denver, passei a caminhar muito todos os dias. E mais: eu queria uma autêntica aventura estrangeira, e praticar meu francês.

- Com licença!
- Pois não?
- Onde encontro um bom restaurante por aqui?
- Depende... Que tipo de comida você gosta?
- Qualquer uma.
- Chinesa?
- Pode ser.

Dizem muitas coisas a respeito de Paris. Que é lá que os artistas encontram inspiração; que é lá que as pessoas vão encontrar algo novo em suas vidas; dizem que lá você pode encontrar o amor!

Claro, na minha idade não tenho essas expectativas. No entanto, durante esses dias pensei em muitas coisas da minha vida. Pensei se tivesse nascido em Paris, ou sempre tivesse muito dinheiro, a ponto de poder viver lá.

Imaginei entregando cartas todos os dias, numa ruazinha como esta. E conhecendo as pessoas que moram aqui. Tenho certeza que elas são muito simpáticas.

Eu visitei um cemitério famoso, onde muitas celebridades foram enterradas. Vi a sepultura de Jean Paul Sartre e Simon Bolivar. No meu guia dizia que eram dois escritores franceses famosos, que se amavam muito, e por isso foram enterrados juntos.

Vi também a tumba de um homem chamado Porfirio Diaz, que, segundo meu guia, foi um ditador no México durante 35 anos. Era interessante estar tão próxima de um homem tão poderoso, mas que não podia mais andar nem falar nada, como eu podia.

Pensei na minha irmã Patty, que morreu tão jovem, e na minha mãe, que morreu de câncer no ano passado.

Um dia eu também serei enterrada, e provavelmente ninguém irá me visitar. Mas não vou me importar, estarei morta.
Mas não sou uma pessoa triste. Ao contrário: sou uma mulher feliz com muitos amigos e dois cãezinhos maravilhosos.

Só que às vezes eu gostaria de ter alguém pra dividir coisas como essas. Por exemplo: quando vi Paris do terraço de um arranha-céu, quis dizer para alguém: Não é linda?

Mas não havia ninguém comigo. Pensei no meu ex-namorado Dave, como ele teria gostado dessa viagem. Ao mesmo tempo me senti uma estúpida, pois faz onze anos que não falo com ele. Agora ele está casado e tem três filhos.

Então encontrei um amável parquinho. Sentei em um banco e comi um sanduíche que havia comprado. Estava muito bom!

E então alguma coisa aconteceu. Algo difícil de descrever. Sentada ali, sozinha, num país estrangeiro, longe do meu trabalho e de todos que eu conheço, um sentimento pairou sobre mim.

Foi como lembrar de coisas que nunca conheci antes ou que sempre esperei conhecer, mas que eu não sabia o que era.

Talvez algo que eu tenha esquecido, ou perdido durante toda minha vida. Tudo o que posso dizer é que senti, ao mesmo tempo, alegria e tristeza. Mas não tanta tristeza quanto alegria, porque me senti viva!

Sim, viva!

Foi nesse momento que senti que estava apaixonada por Paris.
E que Paris estava apaixonada por mim.

Enfim...

Depois de penar um pouco para passar nas nove cadeiras, estou prestes a ingressar no último semestre. Agora serão 21 créditos a me separar do tão esperado canudo.

Pode parecer nada mais que a obrigação, uma vez que a duração normal do curso é de 4 anos, e este é o quinto. Talvez não seja nada de mais, mas sempre vi a conclusão de um curso superior como algo muito distante. Hoje é palpável, e realmente, nada de tão emocionante.

O que importa é que, no final do ano, a escolha que fiz como realização pessoal, estará, enfim, concluída!

Desde já, agradeço o apoio recebido todos os dias, em forma de carinho, incentivo, espera e sorriso.

Te amo, Alice!

Esta semana foi minha irmã...

Terça foi a apresentação do Trabalho de conclusão da minha irmã para a banca. Acho que ela se saiu bem. Nunca imaginava ver minha irmazinha falando tudo direitinho, evitando os vícios de linguagem "e coisa"..

raulvs às 13:17:05. Comentários: 0.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Bar...

Se o ilustre Tiago Vargas tivesse um Bar & Restaurante, imagino que seria no centro. Mais ou menos assim:


A casa oferece mais de 250 sabores de pastéis

raulvs às 10:47:26. Comentários: 2.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Penetra de penetra...




Sábado fomos com um casal de amigos: o Luiz e a Aline, ali no News Pub. Ficamos num cantinho, entre a escada e uma mesa. O bar estava bem cheio. Logo que chegamos uma turma que estava ali perto, junto com o pessoal da mesa ao nosso lado, começou a se reunir e se preparar para uma comemoração de aniversário.

Aniversário sempre diverte os bares porque todo mundo canta parabéns junto, mesmo quem não conhece. Nós fomos um pouquinho mais além.. Os garçons trouxeram três bolos de chocolate, aparentemente muito deliciosos. Os guris acenderam as velinhas para as três aniversariantes e todos cantaram parabéns, inclusive nós.

Colocaram os três bolos na mesa ao nosso lado e começaram a cortar as fatias. Distribuíram para os convidados e, depois de um tempo, fizeram mais um brinde com champagne. Nessa hora ninguém mais comia bolo, e o miolo de um deles todinho ficou ali à nossa espera.

Assim que o pessoal da mesa se dispersou, e alguns foram embora, fui até o balcão e pedi pratinhos pro bolo, como se fosse um dos convidados. A garçonete me entregou um saco com vários pratinhos e garfinhos. Levei-os pra mesa.

Na bandeja do bolo tinha ficado a faca e uma espátula. Quando fui cortar o bolo, duas gurias se aproximaram da Alice. Uma delas falou:

- Hum! Um bolo! Quem tá de aniversário?

E a Alice, sem titubear, apontou pra Aline:

- É ela!
- Ah, meus parabéns!

A Aline, sentada no cantinho, encarnou a aniversariante:

- Obrigada!
- Ahhh, mas que tímida! A típica canceriana, como eu!
- É..
- Olha que gracinha, bem tímida! Que legal! Eu não sabia que podia comemorar com bolo.

E a Aline seguiu:

- É, dá sim. Eles oferecem o bolo e champagne, só que o champagne acabou.
- Ah, que legal!

Deu pra notar que não éramos os únicos interessados no bolo. Elas devem ter nos visto ali e que o miolo devia ter sobrado.

- Corta pra elas também.. - me disse Alice, baixinho.

Servi os pratinhos e a Alice ofereceu para as novas penetras. Elas nem sequer esboçaram recusar:

- Ah.. obrigada!

Só faltou perguntarem se era só aquilo! Comeram, ficaram um pouco por ali e logo saíram fora, na maior cara de pau!

raulvs às 13:41:30. Comentários: 1.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Ainda sobre as pizzas...

Acabaram de me ligar.

Não reconheci o número, mas como no meu trabalho quase nunca se sabe quem está ligando, atendi:

- Alô!
- Alô, Raul?
- Sim?
- Aqui é a esposa do Onir, da fixa, tudo bom?
- Tudo bem!

Fixa refere-se à Telefonia Fixa. Nós trabalhamos com Telefonia Celular e temos muitos contatos com eles. Mas nesse curto tempo não consegui lembrar de nenhum assunto que tivesse ficado pendente. Muito menos com a esposa do Onir, da fixa. Eu sempre retribuo o "tudo bom" com "tudo bem", acho que tem mais a ver. E ela prosseguiu:

- Por acaso ficaram algumas pizzas contigo?
- Só um pouquinho, só um pouquinho. Eu acho que tu ligaste pro número errado. Não sei de nenhuma pizza!
- Ah..! Então é o outro Raul. Desculpa!
- Tudo bem.

Era pizza!

raulvs às 10:55:36. Comentários: 2.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Dia de Santo Antônio

Amelinha entrou na sala esbaforida. Chegou atrasada, atirou a sombrinha sobre a mesa, o casaco na cadeira e a bolsa no chão. Os cabelos molhados grudados ao rosto revelavam que a chuva estava realmente forte. Mas ela não parecia chateada pelo banho. Alguma coisa incomodava - havia alguns dias - a Amelinha.

Todos notavam que o humor dela piorava, mas ninguém sabia o porquê. Amelinha sempre foi muito reservada. Não contava sobre sua vida particular a ninguém, nem mesmo à Rita Borges, com quem sempre tomava um café depois do almoço.

Rita sabia tudo sobre todos. Prestes a se aposentar, a enfermeira-chefe da ala infantil da Santa Casa era ouvidos para todas as histórias ocorridas durante os 36 anos de trabalho. Há quem diga que sabia mais até do que os azulejos azul-claros trazidos pelos portugueses. Todos confiavam suas histórias à Rita Borges, desde os médicos mais tradicionais ao servente recém contratado.

Menos a Amelinha.

E olha que a Rita se esforçava. Todos os dias depois do almoço encontrava Amelinha no corredor da ala B e tomavam o cafezinho da Dona Mariana, do terceiro andar. Rita sabia que a bagagem de vida de Amelinha era pesada. Mas não adiantava, Amelinha só falava dos seus pacientes. Aliás, só deles ela falava sobre a vida particular. Dos pacientes e dos familiares. A serenidade de Amelinha confortava as tias mais desesperadas.

Só que naquela manhã a serenidade de Amelinha não tinha aparecido. Nem naquela nem nas anteriores. Os pacientes já começavam a manifestar a falta do carinho de Amelinha.

Ela precisava falar. E foi justamente com Rita Borges que Amelinha se abriu.

- Preciso de um namorado!

Rita quase caiu da cadeira. Em todos aqueles anos Amelinha jamais falara sobre sua vida íntima. Ninguém sabia sequer seu estado civil. Para garantir a exclusividade do depoimento Rita tratou de fechar a porta da sala das enfermeiras. E Amelinha continuou seu desabafo.

Começou a namorar cedo, aos 15 anos. Depois de dois anos se casou. Não teve nenhum filho, e aos 32 ficou viúva. Nem disso Rita sabia, que Adamastor, o marido de Amelinha, havia falecido. Eis que às vésperas do 12 de junho Amelinha resolvera dar um basta na solidão que a assolava há oito anos. O luto por Adamastor já tinha escurecido o bastante a vida amorosa daquela mulher.

Na verdade, Amelinha tinha tomado essa decisão há dois meses. Os anos fizeram com que se tornasse uma mulher desinteressante, ninguém olhava pra ela. E isso passou a atormentá-la. Foi aí que decidiu, num final de tarde, ao passar em frente à capela do hospital, recorrer a Santo Antônio.

Chegou em casa, enrolou o santo numa calcinha vermelha e o acomodou na gaveta do roupeiro: a gaveta das calcinhas.

Rita alternava estados de palidez e rubor.

- E então? - quis saber mais, Rita.
- E então que a partir desse dia minha vida é um inferno.
- Não funcionou?
- Funcionar, acho que funcionou, mas eu não deixei acontecer nada.
- Como assim?
- É que só aparece desgraça, Rita!
- É mesmo?
- É.. no mesmo dia que o coloquei lá, fui tomar banho e tocou a campainha. Dificilmente alguém toca lá em casa. Era o zelador. E eu o atendi enrolada na toalha.
- E aí?
- Aí nada. O velho, além de feio é casado e não tirava os olhos de mim.
- Imagino.
- Não, tu não imagina. Ele só tinha ido entregar uma correspondência. Mas quando me viu quis entrar. Tive que pedir pra ele ir embora. E ainda tive que ouvir uma piadinha!
- Risos. E apareceu mais alguém?
- Apareceu, mas tudo assim.
- Assim como, de toalha?
- Não. Tudo ou velho, ou desdentado, e todos tarados!
- Mas não foi o que tu pediu?
- Até foi, mas eu queria um homem bonito.
- E tu pediu que fosse bonito?
- Acho que não. Só disse que queria um homem.
- Então, amiga. O santo não tem como adivinhar.
- É, né?
- Claro. Faz o seguinte: tira o santo de lá, deixa ele dormir uma noite sozinho, e na próxima tu faz a simpatia, dessa vez pedindo que o homem seja bonito e com todas as qualidades que tu quiser.

Boa sorte, Amelinha!


Dia dos Namorados..


Amelinhas e Ritas Borges à parte, ontem foi o nosso dia. Dia de quem a gente gosta de ficar, dia dos Namorados e namoradores da vida. Dia dos Apaixonados! Dia das apaixonantes. Dia dos casais lindos. Dos feios também. Afinal, os feios também amam.

Mas o dia de ontem foi especial por ser o nosso segundo ano juntos em comemoração à data. Aliás, no ano passado, só fomos assumir o namoro mesmo às vésperas do Dia dos Namorados.

O que já era bom foi sendo lapidado. A poesia foi tomando o lugar das rebarbas e o que parecia sonho é hoje uma realidade maravilhosa.

Neste Dia de Santo Antônio te desejo, Alice, um maravilhoso Dia dos Namorados, todos os dias!

raulvs às 17:10:55. Comentários: 0.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Trocando as pizzas

Dizem os noticiários que o frio de ontem foi o pior dos últimos 20 anos. Eu digo que é o pior dos meus 30 anos. Mas por mais que esteja frio, sei que vou chegar em casa me aquecer. Banho, beijo, edredom, carinho, aquecedor, beijo, vinho, beijo,... Decidimos então, numa dessas noites de fome e frio intensos, pedir uma pizza.

Mas só de pensar em levantar pra pegar o telefone o frio já aumentava. Era preciso mentalizar a ação, agir e voltar pra cama. O pior seria descer pra buscar.

Liguei e efetuei o pedido. Levaria cerca de 30 minutos. Separei o dinheiro e voltei pra cama. Ali do segundo andar dá pra ouvir o barulho da moto se aproximando. No que passou uns 20 minutos coloquei uma roupa decente - leia-se: calça jeans, chinelo e blusão sem camisa - e ficamos esperando pelo barulho da moto, que não demorou.

Peguei os tickets, as moedas, a chave e desci correndo. Cheguei lá embaixo e olhei pelo vidro, mas não vi nada de motoboy. Fiquei ali por mais um minuto, morrendo de frio e espiando pelo vidro ao lado da porta (de calça jeans e chinelo). Ciente de que havia me confundido com o barulho da moto subi. Antes de entrar no apartamento passei pelo vizinho de porta em vestes contrastantes à minha: terno e gravata.

Nos cumprimentamos, entrei no apartamento e ele desceu. Voltei pra cama gelado e fiquei esperando por novo barulho de moto, que já estava passando dos 30 minutos prometidos. Mais um tempinho e novamente a moto.

- Agora é! - afirmamos convictos.

Saí da cama, novamente, correndo, peguei o dinheiro e as chaves e desci. Já podia imaginar o cheirinho quente do queijo esticando,... Olhei pelo vidro e lá estava ele, o motoboy. Abri a porta, mas achei estranha a embalagem. Tudo bem - pensei - deve ter faltado a caixa original e colocaram nessa, da Só Pizzas.

Segurei a pizza e fui entregar o dinheiro, quando o cara puxou um refri de dentro da bolsa. Achei mais estranho ainda, nunca pedimos refri.

- É da Pizza Hut?
- É do 202?
- Não!
- Não!

Olhei pra trás e tava chegando o vizinho, ainda de terno. A pizza ainda estava nos meus braços. Entreguei como se eu fosse o entregador.

- Bah, me enganei! Já é a segunda vez que desço e não é a minha pizza.
- Pois é! Antes eu também achei que fosse o barulho e desci.

Subimos rindo e eu, mais uma vez, sem a pizza e louco de frio. No terceiro barulho de moto, que chegou antes do outro motoboy sair era, finalmente, a nossa pizza.

Ainda bem que é o segundo andar.

raulvs às 16:09:43. Comentários: 3.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A pessoa é o que é...

Houve um tempo em que combinávamos um churrasco na Garagem do pai da Karina às 11 horas da manhã de um domingo pós festa, e às 2, não parava de chegar gente. A maioria dos assuntos fluía naturalmente, pois muitos estavam na mesma festa da noite anterior, outros estavam em um aniversário não sei de quem, etc.

Nesse tempo a gente tinha o número de, pelo menos, umas três pessoas do Druída. Ligávamos pra lá avisando que estávamos chegando e queríamos ingresso mais barato. Umas duas vezes por mês éramos maioria absoluta no Druída. Era, sem dúvida, a nossa casa. Escrevo no plural porque nesse tempo não se fazia nada com menos de dez pessoas, não importava o dia da semana.

Se fosse num tempo bem mais remoto, eu diria que eu havia mudado. Mas não. O tempo mudou tudo. A pessoa é o que é. Eu sou o mesmo, meus amigos são os mesmos. Mas o tempo nos mudou. Embora as pessoas não tenham mudado, foram, de certa forma, reagrupadas. Uns se afastaram e uns se aproximaram. Eu e a Alice nos aproximamos bem, por exemplo.

Posso dizer que sinto sim, saudade daquele tempo. Mas uma saudade enquanto lembrança, não de sentir falta. Não trocaria por nada nem por nenhum outro momento da minha vida, a vida que vivemos hoje. Escrevo no plural porque a minha vida, hoje, somos nós dois. E procuro lembrar sempre de ser a pessoa por quem ela se apaixonou; e olho pra ela como a olhei enquanto se aproximava até que déssemos o primeiro, longo e maravilhoso beijo.

Por isso acredito que cada um, não importa onde esteja ou com quem esteja, ainda é o que é, quem sempre foi. Fiquei um pouco surpreso com quantidade de pessoas que apareceram no meu aniversário. Fazia horas que a gente não se reunia em grande número. E disso sim, sinto falta. Claro que vale muito mais a energia do encontro do que o número de pessoas presentes. Fico feliz por saber que preservamos o nó desse laço.

raulvs às 15:24:44. Comentários: 2.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Voltamos...



Em primeiro lugar quero agradecer a presença e a colaboração dos amigos e familiares para que tivéssemos uma celebração maravilhosa. Essa data será sempre lembrada como um dia muito especial, e que nenhum contratempo tiraria o brilho daquela noite.

Passamos meses, mas em especial as últimas semanas, sob uma pressão para que ficássemos nervosos. Existem algumas convenções - das quais, a maioria sou contra - em que nosso estado de espírito e opinião devem ser pautados pelo público em geral. Dois exemplos são: achar o nenê "a cara do pai, ou da mãe" e ficar nervoso antes de uma data como o casamento.

Eu costumo ser bastante otimista, então, para ficar nervoso só se alguma coisa realmente não está dando certo. Como a falta de luz no salão, por exemplo. Posso ter ficado ansioso, isso sim. Com a presença dos convidados, as nossas músicas, a minha roupa, a chegada da minha noiva linda, se ela ia olhar pra mim, o vestido, como ficariam as nossas fotos, o momento do "sim", enfim, uma série de coisas que passariam de certa forma rapidamente e que eu queria eternizá-las nos instantes em que acontecessem. Não queria perder nada, não queria que nada desse errado, mas principalmente, queria muito sentir aquele sorriso e ver aqueles olhos lindos brilharem bem ali ao meu lado. Seriam bons minutos de silêncio, e eu queria ouvir sua voz..

Foi uma celebração linda, como esperávamos. Depois tivemos uma festa linda, com convidados que fizeram valer a grandiosidade do momento desde o abraço apertado até a hora em que dançaram e cantaram mesmo sem luz e sem som. Uma noite realmente inesquecível.

Paris...

Cada vez que paro para pensar em tudo o que acontece sempre surge a palavra sonho para melhor descrever o que vivemos. E se fazemos tudo pensando no melhor para nós dois, não há porque pensar no sentido de ilusão, mas num sonho real que vivemos acordados.

Nossa lua-de-mel foi a realização de mais um sonho, não apenas pelo lugar e toda a sua magia, mas a magia de cada momento, cada beijo, cada sorriso, cada olhar.. Um sonho vivo realizado e, sem dúvida, maravilhoso!

raulvs às 10:46:53. Comentários: 2.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Sim!




Escrevi versos inspirados numa beleza real de uma forma sem par. Lapidei palavras e as imprimi em papel embebido para que fossem deliciadas, uma a uma, e dessem ao seu corpo tensão de desejo. Dos sonhos deste homem quedou a carne aos braços, e as palavras voltaram em sussurro envolvendo nossas almas. Teu amor é o meu desejo de todos os dias. E para tudo de tão maravilhoso que nos envolve, o meu Sim!

A todos meus amigos, muitíssimo obrigado pelo carinho e felicitações recebidos nestes dias. Voltamos daqui a duas semanas, cheios de fotos, de histórias e - sempre - com muito amor.

Au revoir!

raulvs às 18:40:12. Comentários: 4.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Empatia...

O passar dos dias e a proximidade do evento trouxeram-me algumas constatações que me ajudaram a compreender um pouco mais de mim e do funcionamento do mundo; algumas que me serviram de ensinamento e outras que repassaria como sugestão.

Nunca mais tinha entrado tantas vezes na Igreja em tão pouco tempo. E o pior é que não tem mais a hora do beijo. Vou ter que falar - mais uma vez - com o padre para pedir que ele indique o momento. Se não indicar vai ter assim mesmo. Vai ser uma celebração linda!

Constatei que uma despedida de solteiro depende de uma série de elementos favoráveis para sua imposição. E com certeza os impositores farão todo o possível para reuní-los: o grupo para omitir a covardia, a história da civilização para embasar o machismo, uma alfinetada nos brios para desafiar a virilidade, e uma boa dose de hipocrisia.
Se a empatia é uma forte aliada nas relações de trabalho, diria que é fundamental em todas as relações. Colocar-se no lugar do outro: exercício tão simples e tão pouco usado. Ah se fizéssemos isso mais seguidamente, que diferente que seria. Deve ser muito estranho querer respeitar alguém.

A propósitos

Por que querer fidelidade para si, se não pode oferecê-la?
Nunca gostei de puteiro, nem de filme pornô e muito menos de puta.
Nunca gostei de brincar de casinha; meu amor é de verdade, e a minha casa é o lar do meu amor!

Dez, vinte, trinta!

Os 30 chegam com uma sobriedade que eu não imaginava. As atribulações todas me fazem sentir como à frente de um gol, prestes a bater um pênalti decisivo no Beira-Rio lotado. E se o ano passado foi de uma explosão, até então, inacreditável, trago dele a confiança para um momento maravilhosamente especial. Minha data, agora é a nossa, e nossa celebração será viva e vista sempre.

Ao novo casal mais feliz do mundo, amor e saúde!

Parabéns!


raulvs às 12:02:52. Comentários: 0.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Preparando o biquinho...

Restando menos de duas semanas, o inglês, até então indecifrável, parece soar tão bem, e com tantas palavras e expressões de assimilação aceitáveis. Com certeza vai ser difícil, mas nada que caneta e papel, gestos e uma boa dose de paciência não resolvam. O que importa é que depois de todos esses meses em função, emails, orçamentos, telefonemas, visitas, escolhas, decisões, teremos selado um dos dias mais felizes para nós dois, e vamos ter muito do que rir na Cidade Luz.

"Ela é doente, né?"

Gosto de analisar diálogos alheios, de saber o ponto de vista de outras pessoas a respeito de assuntos comuns. Na quinta passada saí da Puc por volta das seis da tarde desesperado para chegar ao centro, encontrar a Alice e ir para o jogo do Inter. Todos sabiam que seria tarefa das mais ingratas vencer o Nacional por 3 a 0, mas nós estaríamos lá fazendo a nossa parte.

- Táxi!
- Vai pro campo?
- Não. Pro centro.
- Achei que fosse pro campo. Tá brabo de chegar lá.
- Não. Ainda vou encontrar minha noiva. Depois vamos pra lá.
- O quê!? Vocês ainda vão pra lá? Mas que horas são?
- Seis e dez.
- Ah não vai dar tempo!
- Vai sim. E se não der não tem problema.
- E tu vai levá ela no jogo?
- Vou. Ela vai a todos os jogos comigo.
- Meu Deus!
- Ela é doente também?
- É.
- Barbaridade! E essa tua camisa hein? Bonita né?
- É, é bonita sim. Ela me deu de Natal.
- É mesmo é? Eu quero dar uma pro meu guri. Bonita essa tua!
- Obrigado!
- Eu já fui doente pelo Inter, sabe?
- Hum..
- É. Doente mesmo. Já era homem grande, casado, dois filhos e lá: encolhido num cantinho ouvindo o jogo no radinho. Aí se o Inter perdia corria aquela lágrima aqui ó.- e apontava com o dedo -. Mas não vai pensar que eu sou chorão. Eu chorava sim, mas não deixava ninguém ver, viu!?
- Entendo.
- E assim ó: o cara cresce e começa a dar valor pra outras coisas, família, casa, filho,... um dia tu vai pensar que nem eu, tu vai ver, aí quer saber? O Inter que vá tomar no piiiiiiii!!!! Que Inter o quê! Vou dar o meu dinheiro praqueles mercenários? Nem pensar! Pego 50 pila e faço uma churrascada, bebedeira, sabe?
- Sei...
- Por que tu não faz assim: liga pra ela e fala: "Meu amor, vamos pra casa hoje. A gente vê o jogo na televisão comendo alguma coisinha..."
- Não cara. A gente não vê problema em ir no jogo. Ela se associou justamente pra poder ir.
- Mas vocês não vão chegar a tempo.
- Não tem problema.
- É.. ela é doente né? Então não adianta.
- ...
- Eu fiz uma casinha pra mim.
- Hum.
- É. Um sobrado que nem esse aí ó. E o cara gasta, sabe?
- Ah gasta!
- Quer dizer... gasta, mas é a tua casa né?
- Claro, vale a pena. O que incomoda às vezes é o pedreiro né?
- É isso mesmo! Eu consegui um cara que fez um preço bom: 25 pila por dia.
- Hum.
- Só que o desgraçado era um bêbado!
- Bah!
- É. Aí na segunda não ia porque tava bêbado. Na terça só ia de tarde. E tava meio mal ainda. Aí na quarta engrenava. Trabalhava quarta, quinta e sexta. Aí sábado e domingo não trabalhava, ia beber!
- É.. um dia ele tinha que descansar.
- Bêbado desgraçado! Aí pra parte de cima eu contratei outro cara. Ele, um parceiro e dois guri de ajudante.
- Aí rendeu?
- Bah, fizeram em duas semanas! Que trabalho bom!
- Tu vê.
- E eu lá.. entregando dinheiro pro bêbado desgraçado!
- Tá tudo trancado mesmo né?
- Tu viu só?
- Mas não tem problema, vamos lá. E o teu guri?
- Que que tem?
- Ele não vê o jogo?
- Não vê? Que nada.. vai a tudo que é jogo! Eu associei ele.
raulvs às 11:01:30. Comentários: 0.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Tudo é uma oportunidade...

Um dia eu queria aprender a lidar com as oportunidades diárias. Vejo cada fato como uma oportunidade, não apenas aquilo que se apresenta como favorável. Muitas vezes temos a grande chance de fazer o que se considera como nada mais que o dever, e que se não feito, é capaz de arruinar um bem estar. Vivemos cercados dessas oportunidades ocultas, e o cumprimento de boa parte delas - ainda que seja um ato automático - nos diferencia do sujeito comum.

A justiça se dá por tornar possível o "nada mais que o dever" em sucesso, mas este cabe ao detentor da arte do tratamento. Uma pessoa visivelmente com sede pode ser tratada com indiferença. Talvez peça água. Pode-se, também, oferecer-lhe algo para beber. Ou ainda, sem perguntar, trazer-lhe a água gelada num copo bonito. A arte está em saber lidar com as variáveis em questão. Uma pessoa com muita sede não quer saber de copo bonito, apenas que se traga a água o mais breve possível. O simples e objetivo costuma ser mais eficaz do que a demora do ornamento.

A sentença de cada ato é categórica e, às vezes, um tanto quanto dura, por mais que não seja proferida. E o somatório dessas sentenças constitui a forma com que lidamos com as oportunidades, ocultas ou não, e que promove e mantém o bem estar. Temos uma tendência de não olhar pelo ponto de vista alheio e esquecemos que - dependendo da importância que tem para nós, não só o olhar, mas todos os sentidos - o bem estar é o bem maior, e pode sim, ser sempre maravilhoso.


raulvs às 13:34:35. Comentários: 0.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Sou alguém que não está aqui...

Depois de uma semana e meia de volta ao trabalho percebo que ainda não aterrissei. Nem no trabalho, nem nas aulas. A mesa assusta qualquer desavisado, mas não a ponto de me fazer organizá-la. Ainda bem que a Rita sequer tira o pó acumulado, e não é por falta de vontade. Às vezes, quando chego da rua, ela está - cuidadosamente - limpando os poucos espaços vazios entre as pilhas de papéis que visivelmente são lixo. Mas ela os deixa ali. E acredito que vai ser assim, pelo menos até o meio do ano: um estado de flutuação em que corpo e mente só se encontram à noite, quando a porta é fechada.

É nesse momento que o dia realmente acontece, ou seja, não passa tão somente no calendário ou na página da agenda. Se é preciso guardar um instante para marcar a história dos meus dias, guardo toda a noite e as primeiras horas. O acordar e o café da manhã são como uma carga de energia e riso para os mais conturbados dias. A noite inicia e termina com um leve toque de lábios que nos fazem adormecer depois de saciados os mais acirrados diálogos entre dois corpos e duas mentes em harmonia.

Vôo e volto até os mais esperados dias, sem deixar que o agora se perca..


raulvs às 10:52:31. Comentários: 4.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Férias...

Após as viagens de férias estou de volta a Porto Alegre. As aulas começaram ontem, mas só retorno ao trabalho daqui a duas semanas. Tomara que até lá o clima humanamente tolerável também retorne.

Tirando a chuva do Carnaval, as férias foram maravilhosamente boas. Os dias em Bombinhas foram perfeitos. Água muito limpa, muito sol, praias lindas, peixes coloridos e muito, muito amor..
raulvs às 13:05:12. Comentários: 2.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Construindo um novo mundo...




Depois de tanto ouvir o Júlio Reny cantar o contrário, descobri que o mundo é um pouco menor que o meu quarto. Há uma infinidade de coisas depositadas quase como em forma de entulho num pequeno espaço, e em cada uma delas uma história atrelada. Saudosista que sou, guardo todas essas quinquilharias com o carinho do momento vivido.

E assim como um dia a criança precisa expandir-se das firmes paredes do lar, do olhar da mãe em tempo integral; deixar de lado os brinquedos e dedicar-se aos cuidados com o material escolar e seu conteúdo, hoje abandono o que há algum tempo já não tem mais significado relevante. Faço agora parte de um mundo que não é construído apenas por mim, e que tem tudo para ser muito maior do que aquele que um dia foi o meu quarto. Mais duas mãozinhas encantadoras dividem tudo o que montamos, desmontamos, guardamos e, principalmente, dividem o carinho multiplicado.

Dou risada quando estou escovando os dentes e ouço que ela escova os cabelos para dormir. Deve ser para aparecer mais linda nos meus sonhos..

Tema de verão...

Já ouvi alguns temas de verão, mas nenhum tão bom e criativo como este!

Tema de Verão - Ipanema

Quero não
Ir à praia dar aquela relaxada e fugir do calorão
Quero não
Ir à praia ver a mulherada sarada, jogar bola e tomar um cascão
Quero não
Ir à praia só pra encontrar a galera, beber chopp e comer camarão
Quero não
Ir à praia só pra esquecer os problemas, dormir tarde e curtir o verão
Quero não, ir à praia
Não tem Ipanema pra escutar
Quero não, ir à praia
Só tem rádio louca pra aturar

Dessa vez não vou agüentar
A rádio B enchendo
Seja em Floripa ou Xangrilá
Meus parceiros tão emburrecendo
Não tem rádio pra eu escutar
Só tem rádio cocô

Se com tudo isso você vai para o mar
Só tome cuidado pra não relinchar - relinchar
Compre um tapa-ouvido, cd's, um canarinho
Ou ensine a sua mina a assobiar
Sem Ipanema não dá
Não güento ouvir a Rádio A
Eu acho que vou me matar

Quero que acabe logo esse verão
Como odeio essa estação
Onde não tem Ipanema eu fico meio burrão

Quando eu me mando pela Estrada do Mar
Vou aos poucos vou me deprimindo
E avisa a Rádio A: desliga que eu não tô te ouvindo



raulvs às 12:36:10. Comentários: 2.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007




Seminatore...

Depois de analisar tantas mudanças ao longo de um ano, percebo que a maior perda foi a confiança que tinha em algumas pessoas, principalmente no cuidado que eu julgava que tivessem por mim, por tudo e todos que, a mim, dizem respeito.

Talvez não devesse apostar tanto em tantas pessoas, visto que meu orgulho sempre fez arrancar, com a confiança perdida, boa parte, senão toda, da simples afeição. Também não quero deixar de acreditar na confiança. Ainda continua sendo um valor imprescindível na busca do crescimento com as relações.

Em contrapartida o ganho foi ter me dado conta disso, ainda que não sozinho, mas por circunstâncias e pessoas que espero realmente nunca romper o laço da confiança, por nenhuma das partes.

raulvs às 12:56:53. Comentários: 2.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A resistência do chuveiro queimou!

Foi a primeira coisa que pensei quando o calor começou a ficar mais intenso e vimos a necessidade de trocar a chave do chuveiro, de Inverno para Verão. Já tínhamos percebido que havia algo de errado com a posição Verão, visto que a água não aquecia nada. Mas até então abríamos bem, e a temperatura da água era um quente suportável.

No domingo do dia 24, véspera de Natal, dispunha de bastante tempo: o único compromisso era a Ceia de natal, às nove da noite, lá nos meus pais. Resolvi então abrir o chuveiro pra ter certeza do problema. Tão logo manifestei essa vontade, fui reprimido:

- Tu vai abrir o chuveiro hoje - véspera de Natal?
- Eu ia.. tu acha muito ruim?
- Tu não quer deixar pra outro dia?
- Tá..

Desisti. Teria que fazer aquilo algum outro dia menos importante. Mas devo ter estampado a frustração no rosto..

- Se tu quiser pode mexer no chuveiro..
- Eeeeeeeeeeeeee!!!!

Me muni das ferramentas que tinham na gaveta, desliguei o disjuntor correspondente e dei início à "simples" verificação da resistência. Era pra ser uma coisa bem simples mesmo. A maioria dos homens, e até mesmo muitas mulheres já devem ter aberto um chuveiro pra trocar a resistência. Acho que até veado troca!

Tentei em vão não me molhar. Fiz escorrer o que achava que eram os últimos pingos pela mangueirinha, mas assim que desenrosquei veio o banho. Me molhar não era o problema maior: a água na sola suja do chinelo deixou o chão num tom não muito agradável para o azulejo branco.

Lá estava: a parte do inverno inteira e a do verão queimada.

- Vou sacar e trocar por uma nova!

Meu pensamento me pareceu brilhante e objetivo. Me pareceu. E no instante em que toquei com o alicate na resistência, a parte que estava inteira se rompeu. Um belo mal começo. Agora eu era obrigado a consertar aquele chuveiro e torcer para que o calor permanecesse.

- Tu vai trocar isso, agora? (17h)
- Sim. Vou ali no Zaffari..
- Não tá fechado - o Zaffari?
- Não. Vi que estaria aberto até às 20h, hoje.
- Tá..

Corri até o super e comprei, não só uma, mas duas resistências. Assim, quando queimasse novamente o chuveiro numa fria noite de inverno, eu, o precavido, teria uma resistência sobressalente e salvaria o banho quente da donzela. Esse pensamento me levou saltitante ao caixa e já me imaginava trocando a segunda resistência, na tal noite fria do inverno.

Já em casa, abri a embalagem, identifiquei as partes e troquei. Montei novamente todo o chuveiro, deixei correr um pouco de água para não queimar e liguei o disjuntor. Voltei ao banheiro e...

Nada!

Nenhum barulhinho de banho quente. O primeiro "Puta que o pariu!" foi proferido. Lá fui eu: desliga disjuntor, escorre água pela mangueirinha, desenrosca a parte furadinha, e a constatação: a porra da resistência queimou! Nova! Eu juro que tinha deixado correr um pouco de água antes de ligar. Eu só não tinha era afastado as espiras umas das outras. Assim, a corrente em vez de passar por todo o fio, passou pela superfície, onde a resistência é bem menor, causando o curto! "Antes de ligar, afaste as espiras" dizia na embalagem! E eu não li.

Tive que sacrificar a resistência da noite fria do inverno. Afastei as espiras e montei tudo de novo. Deixei correr a água e liguei o disjuntor. Liguei o chuveiro e..

Nada!

Pela segunda vez proferi o palavrão. Fui até o disjuntor, troquei por num outro que estava ali sem uso, fiz todo o processo e nada! Abri novamente e testei a resistência com um multímetro. A resistência nos terminais era de cerca de 2000 ohms, enquanto era pra ser uns 3 ohms. Pra não parecer que estou falando grego, digo que realmente estou! Assim como Tensão se mede em Volt, Corrente em Ampère e Potência em Watt, a resistência é medida em Ohm. E a relação entre corrente e resistência é inversamente proporcional: quanto maior a resistência menor a corrente e, conseqüentemente, menor a potência. Não ia aquecer nunca. Desmontei tudo de novo e limpei a oxidação dos terminais. A resistência baixou sensivelmente para uns 12 ohms.

Montei tudo de novo e...

Nada!

Como poderia eu apanhar assim para um simples chuveiro? Desisti! Reconheci que a véspera de Natal é o pior dia do ano para se mexer no chuveiro. Reconheci que minha teimosia é faz passar por situações desse tipo, nada agradáveis. Pensei até em chamar um eletricista, mas novamente fui reprimido.

Não havia mais tempo para pensar o que fazer. O banho seria frio. A frustração foi ao mais alto grau. Cabisbaixo caminhei até a cozinha enquanto ela tomava o banho frio. Peguei a embalagem do lixo e, finalmente uma razão lógica: Resistência para chuveiro 220V.

Num mesmo instante me senti alegre e idiota. Consegui comprar as duas resistências para 220V! E estava destacado em amarelo.. Mas tudo bem, agora era só trocar por uma 110 e tudo estaria resolvido... estaria...

raulvs às 10:35:31. Comentários: 5.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Confusões da modernidade...

É sabido que sou um atrapalhado por natureza. Quase tudo o que faço - ou tento fazer - tem seu momento de desastre. Por conta disso digo que às vezes entro em colapso. Estou até pensando em um livro: Desventuras do Lar. Este seria apenas com as trapalhadas de dentro de casa, como a saga do chuveiro em plena véspera de Natal, que contarei mais tarde. Mas a distração me acompanha em todos os lugares, principalmente aqui no trabalho, onde passo boa parte do dia.

Tocou o celular ( um velho companheiro de trapalhadas). Era da Associação.

- Oi Raul!
- Oi!
- É a Leca, da Astti. Tu reservou o salão da associação né? Tu vai confirmar?
- Vou sim. Eu já paguei. Só esqueci de enviar o comprovante do depósito. Deixa eu ver se eu acho.
- Tá.
- Achei, tá aqui!

Abri a bandeja do fax e posicionei a folha. Deixei o dedo pronto sobre o botão enviar.

- Pode me mandar o sinal de fax?
- Posso sim. Agora?
- Sim, pode mandar.
- Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii....

Liguei de volta.

- Astti, bom dia!
- Leca?
- Sim.
- É o Raul.
- O que houve? Não conseguiu?
- Não, eu tava no celular. Não funciona o fax pelo celular. Agora estou ligando do fax, pode mandar o sinal de novo..?

São situações como essa que recheiam o meu dia e me fazem rir sozinho quando lembradas.

Protetor solar...

Acho que ando meio ranzinza mesmo. Depois de declarar que não gosto de Amigo Secreto descubro que não gosto de passar protetor solar. Na verdade eu já sabia disso, mas fica cada vez mais evidenciado quando vou à praia. Reluto em ir pro mar temendo ter de passar o protetor. Mas vou. Sempre acho que vou ficar de camiseta, que vou ficar abrigado à sombra de um guarda-sol e que o sol não vai me pegar. Só tem uma coisa que é certa: o sol não perdoa. Pode-se passar um turno inteirinho debaixo do guarda sol de camiseta, mas basta uma ida ao quiosque para buscar uma cerveja que o torrão tá garantido. É que a gente esquece que a caminhada da casa até a praia e a volta também queimam. Infelizmente o sol não age só quando a pessoa coloca o pé na areia.

Um pouco menos pior do que ficar um pimentão sem achar posição para dormir que não se fique ardendo por umas duas ou três noites é se submeter ao melecado processo do protetor, sozinho. Em vez de a pele assumir o vermelho uniforme, ela dá espaço a marcas de dedos aleatórias pelo corpo, principalmente nas costas. É mais comum nos homens, que não pedem ou não deixam que ninguém passe o protetor nas suas costas.

Em tempo: não agüento as pessoas chamando protetor solar de bronzeador.

A ironia (ou seria incoerência) é que eu sou um dos maiores defensores do uso do protetor solar. Nunca compro de fator menor que 25 e sei que a cada ano são menos "melecantes".

Usemos o protetor!

raulvs às 11:04:13. Comentários: 4.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Não gosto de Amigo Secreto...

Pra começar, de secreto não tem muito. Se a brincadeira se dispusesse ao menos a fazer jus ao nome, talvez até fosse interessante. Assim como é feito não vejo graça nenhuma. Mas isso pode ser "ranzismo" meu.

No sorteio dos papeizinhos já começam as caras feias... "Puuuutz, esse mala, de novo!!", "Bah, nem conheço essa pessoa!", "Ah, eu quero trocar o meu! Quem tu tirou?" É um festival de inimizade secreta sem tamanho.

É normal que não se saiba a fundo os gostos da pessoa que se tira de amigo. Valeria o bom senso e o bom gosto: um presente que qualquer pessoa acharia muito bom. Mas confiar no bom senso alheio é muito arriscado; no bom gosto, nem pensar! Para isso criou-se uma lista de sugestões, em que, na falta dessa pré-disposição a procurar algo com "a cara da pessoa", encontra-se, ali, alguma sugestão interessante.

Só que o que era pra ser sugestão tornou-se uma lista obrigatória sem direito a quaisquer alterações. Não se coloca apenas "uma blusa, uma calça, uma bola, chinelo,...", mas sim "blusa verde 18 da Tok Iguatemi, tamanho P; calça capri Gang, número 36, rosa com detalhe em branco,..." Só falta colocar o preço e as condições de pagamento.

O valor é outra imposição. O que vem a ser bem vindo com a condição financeira da maioria, ainda mais nessa época do ano. Mesmo assim sempre tem os sem noção. Minha sobrinha foi minha amiga secreta pelo segundo ano consecutivo. Entre as sugestões dela havia "Celular Nokia com câmera". Por sorte havia um perfume dentro da faixa de preço estipulada (R$30,00).

Outro problema do Amigo Secreto lá de casa é o amigo do pai. Meu pai não entra em loja nenhuma que não seja supermercado ou ferragem. No ano passado deu a quantia em dinheiro pra minha irmã. Divertido né? E este ano me deu duas camisas pólo. Muito bonitas, mas obviamente minha mãe que escolheu e comprou.

O ponto positivo é a parte da divulgação dos amigos e entrega dos presentes. Uma boa dose de ironia sadia extravasando algumas "qualidades" e muitas risadas. Lá em casa pelo menos é assim. Tudo é motivo de diversão. Minha mãe iniciou dizendo que o amigo dela era uma pessoa que não tinha sexo definido: era o meu pai!

Feliz Ano Novo!!!

Todo final de ano é a mesma coisa: Feliz Natal e próspero Ano Novo. Há quem não goste do Natal e há quem o trate como um dia comum. Eu gosto, e lá em casa sempre tem festa. Nosso Natal sempre é muito feliz! Por isso, muito obrigado a todos que - ainda que de forma automática - desejaram Feliz Natal!

Agora o Ano Novo é um pouco diferente. Tem também essa parte automática do Feliz Ano Novo, Próspero Ano Novo,... e o ano que termina fica com aquela imagem de "já vai tarde". O novo ano é cheio de promessas e esperanças e realizações muitas. Tudo isso se compacta dentro do "Próspero Ano Novo" e explode com os fogos da virada. Aqueles sonhos todos ficam muito mais bonitos coloridos e brilhantes em contraste com o negro do céu, e o P do "próspero" soa como o estouro de uma champagne.

Pois bem, não sei se com todos foi assim. Mas quero agradecer a todos que me desejaram Próspero Ano Novo. Foi um ano, sem dúvida, maravilhoso, no melhor dos sentidos que essa palavra pode ter. Um dos anos mais difíceis e prazerosos do aprendizado de jornalismo, em especial nas aulas do Leonam e do Holdfeldt; um ano maravilhoso no amor, que culminou num desejo de entrega mútua e uniu dois corações. Ali se ama e se escreve, a cada dia, um capítulo de uma linda história sem fim. Meu presente de aniversário, de Natal e de todos os dias. E pra finalizar, um ano maravilhoso para todos que, de certa forma, morrem de paixão pelo glorioso Campeão da América e do Mundo: o Sport Club Internacional!!!

Feliz Ano Novo!

raulvs às 09:56:29. Comentários: 4.